18 de mai. de 2010

Herança dos grandes eventos

Desde os Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro que se fala em herança para a cidade sede. Projetos mirabolantes de transportes moderníssimos, estádios e equipamentos esportivos fantásticos e tudo o mais foi prometido. Bom, aqui no Rio a herança foi fraca. Nada de trem magnético suspenso e novas avenidas e corredores exclusivos para coletivos. Ficou só no estádio do Engenhão, construído no meio de um bairro saturado, cheio de ruas estreitas e sem estacionamento ou acesso por meio de avenidas. Vejamos o que será feito para a Copa e Olimpíadas. As questões do trânsito e do sistema de transportes são decisivas, pois as condições de mobilidade e segurança para os fãs do esporte, que assistirão aos jogos, já tem sido um fator determinante para a diminuirão do público presente aos grandes eventos esportivos, haja vista os números do Maracanã.  

27 de ago. de 2009

As escolinhas e o fim dos campinhos

As escolinhas de futebol proliferam por todos os cantos do Brasil. É certo que somos o país do futebol, mas antigamente se aprendia e se treinava quase que exclusivamente nos campos de várzea e campinhos nos terrenos baldios nos bairros. O que mudou agora e qual a razão do crescimento exponencial das escolinhas? Primeiramente, o futebol tornou-se um grande negócio, que movimenta bilhões, mobiliza a mídia, a população e atrai os jovens e suas famílias, que projetam um futuro promissor na carreira de jogador profissional, o que gera uma demanda também profissional na formação e cooptação de novos jogadores através destas escolinhas e divisões de base dos clubes. Esse fenômeno se potencializa com a penetração do capital privado neste setor, capitaneado pelos investimentos de empresários, nacionais e internacionais. Em segundo lugar, com o enorme crescimento urbano, os espaços disponíveis pra criançada jogar bola estão desaparecendo, ao mesmo tempo em que as escolinhas oferecem ainda a segurança que não se encontra mais nas ruas. Por tudo isso, parece que o profissionalismo e os interesses econômicos se integram cada vez mais ao processo de formação dos jogadores brasileiros, desde as raizes do nosso futebol, que estão nos bairros populares e na periferia das grandes cidades, através das quais ocorrem a mobilização e a adesão da enorme maioria do nosso povo. Se nessa nova realidade haverá espaço para novos artistas como Pelé, Garrincha, Zico e muitos outros, isso só o tempo dirá.

25 de ago. de 2009

Nossos meninos na escolinha do Nova Iguaçu F.C.


Aí estão os novos jogadores da escolinha do Nova Iguaçu Futebol Clube. De uniforme e da esquerda para a direita: Vinicius, Matheus, Paulinho, Gustavo e João.

Alerta vermelho no Rio

Fluminense, Botafogo e Flamengo instáveis e descendo a ladeira no Campeonato Brasileiro de 2009. Deixando os problemas administrativos dos clubes pra lá, salta aos olhos a diferença de preparo físico dos times cariocas para as equipes que estão no topo da tabela. Mal das pernas, nossos jogadores estão sempre em minoria nas jogadas, seja na defesa ou no ataque. Os matemáticos dizem que o Rio tem 97% de chances de ter um de seus times rebaixados pra segundona. Tá feia a coisa! É evidente que existem sérios problemas políticos nos grandes clubes do Rio de Janeiro. E num campeonato longo de pontos corridos, o mais competitivo do mundo, envolvendo 17 times campeões nacionais, e ainda exportando jogadores para os europeus, árabes e japoneses, quem não tem uma estrutura gerencial profissional perde fôlego. Superar isso é difícil, principalmente quando os negócios envolvendo direitos federativos e de imagem não servem para capitalizar os clubes. A cartolagem precisa aprender a ganhar dinheiro investindo na estrutura dos clubes.

21 de jul. de 2009

Um pouco atrasado

Sei que estamos atrasados no blog, mas não poderia deixar de falar de Corinthians x Internacional. Ronaldo Fenômeno está fazendo a diferença pro Timão. Tentei em vão torcer para o Colorado, meu primeiro time do coração dos tempos de infância em Porto Alegre, mas não consegui. Não dá para torcer por um time contaminado pela arrogância e a agressividade de jogadores como D´Alessandro. Haja vista o que ele aprontou no final do segundo jogo da decisão. Foi expulso e será suspenso merecidamente. Sou do tempo de Claudiomiro, Bráulio, Valdomiro, Paulo Cesar Carpegiani, Figueroa, Falcão e companhia, que tinham categoria. Do outro lado era o Grêmio, time que nós guris de Petrópolis dizíamos que só dava botinadas. Raça é uma coisa, truculência é outra! Triste também alguns torcedores do Grêmio, que se manifestaram de forma racista nos estádios, imitando barulho de macaco quando um jogador negro pegava na bola, após Máxi Lopez ter sido acusado de racismo contra um colega do Palmeiras. A CBF e a sociedade devem ficar atentas a fatos como esses. Violência, racismo, são coisas abomináveis das quais o futebol não precisa. Então torci mesmo pro Corinthians. Pelo menos o Ronaldo é Flamengo.

10 de jun. de 2009

A Copa do Mundo é nossa!

Definidas as 12 cidades que sediarão os jogos da Copa do Brasil em 2014, agora é hora de começar a trabalhar. Muito está sendo planejado e prometido, e já se fala na herança para as cidades que a Copa de 2014 vai deixar, assim como aconteceu nos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro. Novos estádios, reformas nas instalações, melhoria nos transportes, segurança e comunicações, etc. O fato é que este será um grande investimento público e privado. É preciso então, que a sociedade civil se organize e se mobilize a fim de reivindicar participação nas decisões de projetos estratégicos e garantir transparência nos gastos públicos. Neste sentido a Copa do Mundo deve ser um evento integrador nacional e global. Os negócios envolvidos precisam dar certo, as empresas precisam lucrar, mas o povo brasileiro também precisa obter benefícios permanentes. Especialmente os serviços de transporte coletivo e comunicações, precisam tomar um impulso no rumo da qualidade, do respeito aos direitos dos consumidores e da universalização. Então a Copa do Mundo será realmente nossa, e não somente da FIFA, da CBF e da elite dos patrocinadores. Em tempo: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Cuiabá, Brasília, Salvador, Recife, Manaus, Curitiba, Fortaleza e Natal, foram as cidades escolhidas.

31 de mai. de 2009

Paz e cidadania nos estádios


Estádios de futebol têm sido palco de diversas manifestações de violência. Entre as quais, as brigas entre torcidas organizadas se destacam e em alguns jogos são uma tradição. Num contexto social conflagrado por um lado, e por outro a partir dos esforços da sociedade para diminuir a violência e afirmar os direitos e deveres dos torcedores enquanto consumidores, o conflito entre torcidas permanece, mas é cada vez mais combatido e reprovado pela população e reprimido pelas autoridades. A maioria das diretorias dos grandes clubes brasileiros possuem grande influência sobre suas torcidas organizadas, que usufruem de diversos benefícios, como ajuda de custo para viagens, compra de bandeiras e camisas, e distribuição de ingressos gratuitos. Talvez seja necessário estabelecer punições às torcidas, restringindo esses benefícios toda vez que seus integrantes se envolvam em brigas, depedrações de equipamentos dos estádios ou agressões aos jogadores e juízes. No limite, os brigões devem ser proibidos de assistir aos jogos, como já tem acontecido para os casos mais graves registrados e encaminhados ao Juizado Especial Criminal. Mas ao lado dessas medidas, é preciso que todos nós, amantes do futebol, passemos a qualificar o nosso comportamento enquanto torcedores durante os jogos, evitando posturas mais agressivas em face dos adversários e juízes, que acabam por reproduzir, por tolerar, e até por incentivar os excessos que descambam para a agressão física e os crimes de racismo e outros preconceitos sociais diversos. Não precisamos assistir a um jogo de futebol calados e solenes, mas construir uma cultura de paz, tolerância, solidariedade e cidadania é fundamental para que os estádios possam ser frequentados tranquilamente por todos, e especialmente pelas crianças e jovens (foto acima), que serão sempre o futuro do futebol brasileiro. Estádio de futebol não deve ser mais uma fábrica de violência. Deve ser um lugar de espetáculos, festas e alegria.